sábado, 12 de maio de 2012

Atar-se


Acabo descobrindo atalhos. Mais rápidos, menos gente, menos espera, menos calor. Atalhos.

Atalhos nem sempre é bom: pois é: eles nos abandonam no critério companhia. Muita gente perdida no fluxo, distraída pela vontade de 'sei lá' e você procurando Atalhos.

No caminho de volta pra Casa, nos retornos acalentados de uma saudade  que não sei-dê-que, passei por ruas vazias, escuras, pouco movimentadas.
Alguns acenos, invisíveis pessoas pareciam comemorar minha passagem. Era apenas uma miragem acalentando o coração de quem caminha só.

Sorrisos, às vezes pernas, se fazem memória. Beijo, um carinho. Depois, um silêncio de quem talvez encontre alguém que queira atalhos, sábios, pensados, acordados atalhos... alguém que queira

fugir do normal e acabar: atado

a mim.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Frestas

e, no meio do Nada, tinha uma placa,

somente uma.

estava escrito: "Nenhuma placa, nenhum sinal, é redundante o suficiente para ser ignorado ou omitido".

e só depois de atentar-se para aquela que outros milhares de avisos apareceram.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Secante


Viajou longe e se sente cansado. Mas há uma sombra, sombra de cajueiro q abriga viajante com carne de caju doce. Natureza lhe abraça. Viaja.

A garganta era seca. A sonoridade das cigarras eufóricas reividicavam chuva. Estabeleceu raízes que apalpavam terra árida. Qria viver.

O azedumes daqla caminhada lhe trouxeram vertigens. Cardumes viajantes passeavam num céu estrelado durante a noite. Perseguia amoras. Amores

Cuidando daquela passagem invisível que criara, era beija-flor batendo asas ferozmente a cada decifrar de pérolas vontades de beijar

Naqle mato seco, imaginava rica água dobrando seus joelhos de tanta torrente. Admirava aqla flor no cácto como qm fosse criança. Apaixonado.

Em ascendente carrossel, decidiu pedir parada. Viajante cansado de admirar, resolver cruzar os espinhos da amada: se arranhar, mas admirar

De tão perto, se fez poeta encorajado pelaquela beleza de um norte-leste seco e amado. Curupiras desistiu de lhe assombrar a noite. Delírios

Aqles espinhos já eram pequenos naqla roupagem grossa de quem foi atingido por vezes na pele humana. Era qse couro mas era ele: ex-pele-ente

Vivido e viajado em contrapartidas sórdidas de viajantes que não conheciam o caminho. Se viu agora responsável, e com medo. Devia proteger.

Pássaros carregam-no daquele ambiente. Desmontado de seus medos, arguiram as fantasias e colocaram no trono: De si.

E tudo por causa daquela flor, mandacaru-flor, que morava naquele seu jardim seco. E tava ali, dentro dele, e ele nao viu.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Algemas fritas! Soliteração!

Mundo pouco mais rápido engole
saliva de mansidão

se alimenta de excomungados
e ligeiros profetas que se confundem:
multidão.

são formigas mascarados esperando levante: açucar no alçapão
querem enganar os monstros
prende-los em armadilhas:
consideração.

mascarados nas gravatas de cetim estilizado
compadecentes, raros, se camuflam: não deixam rastros

fui sozinho
escrevi no moinho
que o escravo estava solto
mas não podia, sozinho,
liberar o engodo

Viva a democracia,
gritavam tolos

morros, favelas livres,
menores aprendizes,
ipisilideres do passado

escondidos, famigerados
famintos: de dormir em si mesmos
na noite escura: da evolução.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Sem pés idas

Me precipitei naquele suor calcificado
nas antenas da solidão

era eu, desnudo, amplificado, apaixonado
num vórtice de químicas sem equação

aprendi de me ver
sozinho
esquecer de você
e entender a poesia complicada que você tentava
me engolir
rigidamente

cuspir.

Era eu, deitado, no ósculo,
concha, colchetes, pernas
peitos
sem mim
pra sempre

queria é entender
pra depois esquecer
como pílula esquecida no bolso
precaver

como seria se tivesse
sido
pra sempre

eu e você