terça-feira, 1 de julho de 2008

Espelho-Forma

Feliz estava no corpo escorado que me encorajava
era um bálsamo flutuante e andante de forma colorida que transportava no ar
um desejo moreno, de carne, de arte, de vida e de amor
de te agarrar, de te pegar, dar com o meu sabor
uma mordida rápida, massagem,
osculatória forma de te conhecer.
Percebia silencio, atino, forte como quem gritava
cigarras braseavam o caminho molhado, queria voltar
deixar com o meu abraço, tua vontade de ser feliz
mas preferi me doar a ti pela memória
pois o meu beijo dado seria fugilidade amarga na alma
pois nao teria o mesmo compassado gesto
de me repetir para sempre

e no silencio daquela noite,
indecisa garagem de onde se adormir
os arrebentos graciosos de tuas palavras ásperas
de tua coceira infame nos olhos a te cegar
para que não me visses
de teu azedo carinho de me fazer entender
que bem longe te farias melhor
fui-me indo, com a coragem de nao sei quem
com desejo de te ter em mente

na cidade, conheci bem mais perto
posto que a saudade mole me aproximou da famigerada forma sua
e teus sonhos me faziam conhecer aqueles momentos que evitei
e te beijava forte, te conhecia
e acordei com a boca amassada
e camisa com teu cheiro de teu abraço ligeiro demorado
fantasiado de desejo

mensagens foram ditas, cargas enviadas de pesado valor
eram formas ditas de se encarar o q sentia
mas voce nao as respondia, voce nao as encarava
e aqui estou: sem futuro, sem rédia, sem perna e sem túmulo
onde este defundo que te fala é como um burro:
mistura acizentada de se encarar a vida
que nao tem nada de polida...
e voce ja com outras formas de me dar a mensagem
me mostra ligeiramente que de tua paisagem
agora, nao poderei mais mirar
porque ja tendes companheiro
e nao quero nem te trair
com os que para ti, são meus pesadelos

Quero-te, Poesia

Tateando o rosto da misericórdia
de sentir, fazer e agir
estive longe, galgando minunciosidades fulgazes e vulgares
para alimentar minha acortinada vida de menos cetim
rusticalizando, rusticiando, ruthiando, rutherizando
caminhando
a vida.
Mas saudades tenho desse estroço cândido da arte
falerando minha antiguês, minha altura e minha promessa
mas que justo é minha volta
mas que melado faço: Eis
Quero arte e aqui estou

domingo, 29 de junho de 2008

Nada

E porque diante do Tudo, nos tranformamos em nada.
Um nada celestial, capaz de pensar na sua nada-forma e nada-inteligencia
de repente, tudo é preto, como a cor do nada.
Engolindo-nos, ferozmente, como quem sacode
inteligentemente a azeitona - de nada serve
E o nada engolindo-nos percebe que dentro de nós já é nada
Então desiste
e vai pra outro mundo
buscar seres
que nao tenham tanto nada
como nós

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Cíclica vida

vedes que sou marca
serena cicatriz da vida
matéria áspera
só polida pela martiridade
v-i-d-a

ano novo
chega junto
fala em mim
que me queres
gentileza
me adianta
furo buraco na consciência
preciso de ti: esperança
para mim: paciência

um
janeiro
paz
ferve
mar
ponto
abriu
a esperança
amanheceu
jubileu
juzar
a gosto
de tempero
Seth, na porta da tumba
Ou foram oito
Nó que vibra
Que acabosse
não no Dez
Mas no 12
E assim fecha o ciclo
ocultado pelos versos
não escritos.
Que te aguardam, benditos!

Vem com tudo, ano feliz.
é por isso que te aguardo!

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Acordar a vida

Apelada forma de escrever
Os sonhos cambiam as formas
se moldam, é um tracejar fácil e ágil
querendo se distanciar do apogeu mentira.
Regula, planifica, socializa minha vida.
corda firme que sustenta o ócio e verdade se forma: poesia.
já secou o árido, molhou a brisa
nela esqueci-me de mim
é só ela: me pega
me devora
faz-me olvido o passado
a teoria vida me deixa mais pesado
me voa, poesia.
Pois assim és: minha pomba branca
voar galante, esdruxulante gramática de fácil entendimento: pois é vida
Não se interpreta, se goza...
Assim como é o gozo: só outro queremos.
Fácil: poesia; Ainda que sem rima.